O COMEÇO DE TUDO
Sempre que se fala na invenção dos vidros, os fenícios são os primeiros a se destacar.
Diz a lenda que alguns fenícios, ao desembarcar na costa da Síria, montaram acampamento
e fizeram uma fogueira sobre areia, ossos e salitre. Pouco tempo depois, um líquido brilhante
escorria do fogo e se solidificava rapidamente.
Mesmo com essa história, os fenícios não devem ser os únicos a receber a glória. No Egito
Antigo, arqueólogos encontraram o material nas formas de contas de vidro colorido, colares,
brincos e frascos soprados.
Na definição internacional, vidro é "um produto inorgânico, de fusão, que foi resfriado até
atingir a rigidez, sem formas cristais".
O VIDRO E SUAS TÉCNICAS
As primeiras técnicas utilizadas em vidro eram extremamente primitivas. Com o tempo, outras
foram surgindo. Por volta de 200 a. C, uma das técnicas mais utilizadas fazia uso de uma vara
ou cana de sopro. Essa prática foi uma das responsáveis pelo grande avanço e aperfeiçoamento
das indústrias vidreiras.
O passar do tempo fez com que os vidraceiros fossem descobrindo novas possibilidades na fabricação
do vidro. Depois da "inovação" do vidro oco (soprado), vieram os vidros planos, usados principalmente
para vitrais de igrejas e catedrais.
No século 12, na época das Cruzadas, em Veneza, na Itália, Murano (ilha próxima de Veneza) se
tornou a grande fabricante de vidros, com diversos tipos de composição. Murano alcançou fama
mundial nos cristais e espelhos que fabricava.
Na Renascença (século 17), houve uma queda na produção vidreira. Artesãos italianos migraram
para a Alemanha e começaram a fabricar um vidro de cor esverdeada. No final do século 18, a
França também aprimorou as técnicas que usava. O rei Luís XIV e o ministro Colbert reuniram
alguns dos melhores mestres na arte do vidro e montaram uma empresa, a Saint Gobain - atualmente,
é uma das mais importantes companhias privadas do mundo.
O começo do século 20 foi de grandes descobertas. O belga Émile Fourcault inventou um processo
mecânico responsável por estirar a massa do vidro. O método utilizava pinças, que suspendiam a
massa, de forma que ficasse verticalmente há quase 20m de altura para receber o corte. Ainda a
partir do século 20, a indústria vidreira se desenvolveu com a introdução de fornos contínuos e
equipamentos semi ou totalmente automáticos.
As décadas de 1930 e 1940 foram destaque no século passado, quando os grandes fabricantes
empregaram o método Libbey-Owens, indicado para a produção dos vidros estirados pela facilidade
no manejo e precisão de corte.
A história do vidro caminhou a passos largos para a fabricação dos vidros planos, com
desenvolvimento e técnicas científicas de novos processos.
O SISTEMA FLOAT
O sistema float surgiu por volta dos anos 1950, na Grã-Bretanha. O processo inovador, criado
por sir Alastair Pilkington, tinha por base fazer o vidro (ou sua massa), ainda não derretido,
flutuar em estanho derretido. Depois, o vidro ganha a espessura desejada, é recozido, resfriado
e recortado. Também chamados de vidros planos, os floats são de excelente uniformidade e não
possuem quase nenhuma distorção óptica.
Geralmente utilizados na construção civil, automóveis, eletrodomésticos, móveis e objetos de
decoração, os vidros planos são considerados, hoje, dominantes na indústria vidreira mundial.
O VIDRO NO BRASIL
Os primeiros pedaços de vidro chegaram ao Brasil por meio de Pedro Álvares Cabral, em 1500, que
presenteou os índios com colares e rosários. Depois, em 1549, Tomé de Souza utilizou o escambo com
os indígenas: trocou um lote de espelhos por pau-brasil.
Entre 1624 e 1635, os invasores holandeses entraram em Pernambuco e quatro artesãos abriram a primeira
oficina de vidro, fabricando copos, frascos e janelas. Entretanto, a saída dos holandeses do País
fez com que a oficina fechasse.
Desde então, muito tempo se passou para que o vidro voltasse a ter origem brasileira. A chegada
da Família Real, em 1808, desencadeou a produção de muitas coisas antes desconhecidas no País ou
importadas. Em 1810, Francisco Ignácio da Siqueira Nobre recebeu uma carta-autorização do regente
D. João e pôde inaugurar a primeira produtora vidreira no Brasil, a Real Fábrica de Vidros da Bahia,
em Salvador, que durou até 1825.
Em 1861, na 1ª Exposição Nacional de Produtos Naturais e Industriais, o vidro apareceu em
forma de garrafas, frascos e globos para lampiões. Pouco tempo depois, em 1882, foi criada a
segunda indústria brasileira de vidros, a Fábrica Esbérald - Companhia Fábrica de Vidros e
Crystaes, produtora de embalagens. Em 1885, São Paulo ganhou a Companhia Vidraria Santa Marina.
As duas fábricas deram início ao sucesso absoluto do vidro.
Depois de 57 anos, um empresário português fundou a Companhia Vidreira Nacional, a Covibra.
Ao mesmo tempo, a Santa Marina criou a Companhia Paulista de Vidro Plano (CPVP), que acabou se
tornando parceira da Covibra, para diminuir a concorrência. Mais tarde, a junção das duas empresas
resultou na criação das Indústrias Reunidas Vidrobrás, no início da década de 1950.
No início da década de 1950, começaram a surgir as primeiras grandes empresas vidreiras no País,
como a Sebastião Pais de Almeida, que controlou cerca de 60% da distribuição nacional. Os anos
1950 marcaram a grande demanda de vidro na indústria moveleira e na construção civil.
Em 1951, entrou em funcionamento a pequena Santa Lúcia Cristais. Dez anos depois, a fábrica
inaugurou a filial Vidros Blindex. Em 1962, a Santa Lúcia começou a operar no interior de
São Paulo, em Caçapava, com a Companhia Produtora de Vidro (Providro).
o início da década de 1960, eram três os principais fabricantes de vidros: a Providro, a Santa
Marina e a UBV (União Brasileira de Vidros), empresa paulista criada em 1957). Essas empresas
dominaram o setor até meados de 1980.
A inglesa Pilkington e a francesa Saint-Gobain criaram, em 1974 em São Paulo, a Cebrace. Em 1998,
a multinacional americana Guardian se instalou em Porto Real, Rio de Janeiro.
Basicamente, hoje o Brasil tem quatro indústrias de fornecimento nacional: Cebrace, Guardian,
UBV e Saint-Gobain. Produtoras de vidros float e impresso, essas empresas produzem mais de
1.900 toneladas de vidro por dia.
CURIOSIDADES
O vidro é uma substância inorgânica, homogênea e amorfa, obtida através do resfriamento de
uma massa líquida a base de sílica.
Em sua forma pura, vidro é um óxido metálico superesfriado transparente, de elevada dureza,
essencialmente inerte e biologicamente inativo, que pode ser fabricado com superfícies muito
lisas e impermeáveis. Estas propriedades desejáveis conduzem a um grande número de aplicações.
No entanto, o vidro é frágil, quebrando-se com facilidade.
Certos autores consideram o vidro um sólido amorfo, ou seja, sem estrutura cristalina, porém,
o vidro apresenta características de um líquido em sua ordenação atômica, mesmo em temperatura
ambiente, ou seja, quando tem a aparência de sólido, por se tratar de uma substância de alta
viscosidade (1040 Pa·s a 20 °C). O vidro comum se obtém por fusão em torno de 1.250 °C de
dióxido de silício, (SiO2), carbonato de sódio (Na2CO3) e carbonato de cálcio (CaCO3).
Sua manipulação só é possível enquanto fundido, quente e maleável.
Hoje o vidro é considerado líquido pois se deixarmos algo feito deste material num lugar
sem ser "perturbado" durante muitos anos ele "escorre". Não é um fenómeno que possamos
constatar porque não ocorre à escala humana.
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